Riscos Psicossociais

Os riscos psicossociais no trabalho representam hoje um dos grandes desafios da Segurança e Saúde no Trabalho (SST). Eles decorrem tanto das condições de trabalho, quanto da forma como o trabalho é organizado, gerenciado e socializado internamente — aspectos que podem prejudicar o bem-estar físico, mental e social dos trabalhadores quando não avaliados e controlados adequadamente.

A partir de 26 de maio de 2026, entre em vigência a atualização da NR-1 e a integração explícita ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), todos os empregadores passam a ter a obrigação de identificar, avaliar e incluir os fatores psicossociais.

O que são riscos psicossociais no trabalho?

Riscos psicossociais são aspectos da organização do trabalho e do ambiente social de trabalho que têm o potencial de causar danos psicológicos aos trabalhadores. 

Eles não decorrem de um único fator individual, mas sim de como o trabalho é estruturado, comunicado e vivido no dia a dia — seja por meio da exigência de metas, da forma de liderança ou das relações interpessoais. 

É importante destacar que na avaliação dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho, trata-se de considerar quais os fatores da atividade que são estressores. Em outras palavras, não se trata de verificar sintomas individuais ou sensações do que está ocorrendo com o trabalhador, mas sim de verificar as condições de trabalho a que ele está submetido.

Em resumo, estamos falando sobre avaliação organizacional. O diagnóstico clínico individual é pertinente a avaliação de psicólogo e médicos, essa informação fica clara no manual publicado pelo MTE, vejamos:

Também é confirmada essa afirmação no item 8. Perguntas Frequentes, vejamos:

Exemplos comuns incluem:

✔ Pressão por metas, prazos e desempenho excessivos
✔ Sobrecarga de trabalho e jornadas prolongadas
✔ Falta de clareza de funções e responsabilidades
✔ Ausência de suporte gerencial ou comunicação ineficiente
✔ Assédio moral ou conflito interpessoal
✔ Insegurança no emprego ou falta de autonomia
✔ Ambiente organizacional tóxico ou perigoso
✔ Exigências contraditórias nas tarefas 

Esses fatores podem desencadear estresse ocupacional, ansiedade, depressão e até desgaste físico e social se não forem gerenciados adequadamente.

O que mudou com a NR-1 e a inclusão no GRO

Antes da atualização, a norma tratava genericamente da identificação e controle de riscos — mas não deixava claro se os fatores psicossociais precisavam ser registrados no inventário de riscos.

Com a mudança:

  • A inclusão explícita dos fatores de risco psicossociais é obrigatória;
  • Eles devem ser avaliados de forma técnica, com critérios e métodos reconhecidos;
  • A exigência aplica-se a todas as empresas brasileiras, independentemente do porte. 

Como identificar fatores psicossociais no ambiente de trabalho?

O Guia de Informações sobre Fatores de Riscos Psicossociais, publicado pelo MTE, reforça que a identificação desses riscos deve considerar as condições organizacionais, sociais e psicológicas do trabalho, conforme o item 1.5 da NR-1.

Ferramentas como a Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP), previstas na NR-17, podem ser utilizadas como apoio à identificação inicial desses fatores, especialmente quando envolvem carga de trabalho, ritmo, autonomia e relações interpessoais. A AEP pode ajudar a mapear condições que favorecem o adoecimento mental e, com isso, embasar ações preventivas mais assertivas. 

Vejamos o que diz o Guia.

Algumas estratégias para identificação e avaliação do risco:

  • Questionário ou pesquisas padronizadas
  • Observação da atividade no ambiente de trabalho, incluindo diálogo com o colaborador.
  • Dados organizacionais existentes
  • Realização de workshops

Essas são algumas medidas para avaliação dos riscos psicossociais presentes no ambiente de trabalho.

Medidas de controle e prevenção

Para a gestão eficaz do risco psicossocial, após o reconhecimento dos riscos, devemos adotar medidas de controle e prevenção, dividindo em 3 categorias, podemos adotar as seguintes medidas:

  1. Organização

Reavaliação de metas e cargas de trabalho

Clarificação de papeis e responsabilidades

Participação dos trabalhadores nas decisões

  1. Fatores Sociais

Treinamento de liderança para comunicação e apoio

Programas de feedback estruturados

Promover um ambiente livre de violência e assédio

Estrutura e suporte entre as equipes

  1. Ambiente de trabalho, equipamentos e tarefas perigosas

Fornecimento de equipamentos adequados para realização do trabalho

Melhoria do ambiente de trabalho (ruído, iluminação, etc)

Proteger os trabalhadores de riscos

Fornecer EPI adequados, onde o risco não pode ser eliminado.

Finalizando

Os riscos psicossociais deixaram de ser

 tratados apenas como “assuntos de clima ou RH” e se tornaram riscos ocupacionais formais, integrando o GRO e influenciando diretamente o PGR e AEP. 

Entender, identificar, avaliar e controlar esses fatores não é apenas uma exigência normativa é uma estratégia de gestão que protege trabalhadores, melhora resultados e fortalece a capacidade de defesa técnica da sua empresa.

Como a Safety pode ajudar sua empresa

Na Safety, oferecemos todo o suporte técnico para que sua empresa esteja pronta para a nova exigência da NR-1:

– Apoio na identificação de fatores psicossociais com base em metodologias reconhecidas
– Realização de Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) conforme a NR-17
– Integração dos dados ao PGR (caso necessário) e GRO
– Capacitação de gestores sobre prevenção de adoecimento ocupacional

A gestão dos fatores psicossociais vai além do cumprimento legal — ela fortalece a cultura organizacional e melhora a qualidade de vida no trabalho.