Hierarquia de controle de riscos: a eliminação antes do EPI

Existe um vício perigoso no mercado de saúde e segurança industrial: a falsa crença de que comprar Equipamentos de Proteção Individual – EPI resolve todos os problemas de forma mágica. 

É preciso mudar essa mentalidade. O EPI é, na verdade, a última linha de defesa entre um perigo iminente e a vida do trabalhador, e deve ser tratado como a cartada final, nunca como a primeira opção.

As normas internacionais mais rigorosas de higiene ocupacional estabelecem uma hierarquia rígida de controle de riscos que os gestores precisam memorizar. 

O primeiro passo e o objetivo principal deve ser sempre a Eliminação do risco. Se um produto químico utilizado na fábrica é tóxico, a primeira tomada de decisão deve ser sobre a real possibilidade de parar de usá-lo, ou se uma máquina emite um ruído excessivo, enclausurar (se possível), retirar do ambiente ou substituir por outra que emita um ruído mais baixo, podemos também automatizar processos para retirar a exposição do colaborador ao risco. 

Quando a eliminação é tecnicamente inviável, o próximo passo é substituí-lo por outro menos perigoso. Isso reduz a probabilidade ou a gravidade dos danos sem eliminar completamente o risco.

O próximo nível de proteção envolve os Controles de Engenharia. Isso significa modificar o ambiente de forma estrutural, instalando exaustores, enclausurando máquinas ruidosas ou colocando barreiras físicas que isolem o risco do contato humano. 

Em seguida, aplicamos os chamados Controles Administrativos, é a redução do tempo de exposição, implementando os rodízios de função estrategicamente desenhados para evitar a fadiga mental e a limitação do tempo de exposição do funcionário ao perigo, treinamentos sobre segurança e pausas para recuperação podem ser consideradas como medidas administrativas.

Somente quando todas essas barreiras complexas falham ou são insuficientes, nós finalmente entregamos o EPI ao colaborador. O equipamento de proteção individual é inerentemente falho porque depende exclusivamente do comportamento humano, da memória e da boa vontade. 

Fato é, são relevantes para proteção do colaborador, e não devem deixar de ser utilizados, são eficientes para neutralização do agente, porém é importante ressaltar que a eliminação do risco e outras medidas podem se tornar mais eficientes no longo prazo para a empresa.

Investir forte na base da hierarquia é criar um ambiente inteligente e à prova de falhas humanas.

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